Governo continua apressadamente projeto de chacina no Rio Tapajós.

Posted: agosto 5th, 2014 | Author: | Filed under: Geral, Mundurukania | No Comments »

Em uma página do governo federal, uma reunião para consulta prévia está sendo chamada para discutir, como diz no texto,  os ‘possíveis’ projetos de empreendimentos na região. O texto no documento é o seguinte:

“O governo federal, através da Secretaria-Geral da Presidência da República, realiza nos dias 2 e 3/9, na aldeia Praia do Mangue, município de Itaituba (Pará), reunião com representantes de entidades, aldeias e lideranças do povo Munduruku.  O objetivo é apresentar a proposta de consulta aos povos indígenas que vivem na bacia do rio Tapajós sobre possíveis projetos de empreendimentos na região.

Na ocasião será definida a forma que a consulta deve ser realizada, conforme a Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de acordo com decisão da Justiça Federal de Santarém (PA).  A iniciativa do governo federal visa pactuar um processo que possibilite ampla informação e participação das comunidades  que possam ser, direta ou indiretamente, impactadas pelos empreendimentos.”

Aqui está o  link.

Esta consulta pública será voltada apenas para área de duas hidrelétricas no plano inicial do complexo Tapajós: São Luiz do Tapajós e Jatobá.  A palavra consulta já perdeu o seu significado original, pois, como todos sabem, na região os estudos, planos e acordos para mais este ‘empreendimento’ na Amazônia já vem acontecendo a mais de dois anos, como podemos perceber nas reportagens do portal IHU abaixo:

Em silêncio, governo começa a tocar usina no Rio Tapajós.

Povos do Tapajós apelam ao STF e ao congresso pela reprovação de MP que diminui unidades de conservação no Pará.

O convite, em seu segundo parágrafo, deixa essa situação bem clara, quando não mostra mais saída nem capacidade de veto, no trecho: “A iniciativa do governo federal visa pactuar um processo que possibilite ampla informação e participação das comunidades  que possam ser, direta ou indiretamente, impactadas pelos empreendimentos.” Já apresenta como certo o empreendimento do governo antes de uma decisiva consulta.

Consultas prévias falsas que impõem e ajudam na invisibilização da resistência que há na região?! Permanente processo de imposição de saberes eurocêntricos sobre desenvolvimento, progresso e gestão sobre comunidades que não dependem deste sistema e que se vêm argoladas e sem saída. Pela autonomia da construção destas consultas pelos povos que habitam o Tapajós e serão diretamente afetados na construção de mais algumas UHE’s da morte na Amazônia.

Para saber mais sobre a resistência Munduruku contra os projetos de barragem no rio tapajós, veja em nossa página: Mundurukus x UHES>> Mapeamento (em) processo.

 

Restinga- território Munduruku