O que são as Hidrelétricas no Tapajós?

Posted: outubro 20th, 2014 | Author: | Filed under: Geral | No Comments »

 

Hoje, o movimento do rio Tapajós está ameaçado pelo projeto chamado Complexo Tapajós, uma das obras financiadas pelo PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal. A última fronteira energética da Amazônia, abrirá as “pernas” para a construção de imensas hidrovias, subsidiadas pela exportação de soja do Estado do Mato Grosso e pela exploração de minério em larga escala na própria região, conhecida por suas riquezas minerais.
A construção de um complexo hidrelétrico, composto por cinco grandes usinas no rio Tapajós e mais duas no seu afluente Jamanxim, tem reafirmado, antes de tudo, uma maneira de ocupação e dominação geopolítica de interesses econômicos que ultrapassam um simples projeto de governo, reforçando os laços econômicos do Estado com grandes empresas. A Vale do Rio Doce, por exemplo, já tem licença para exploração na metade do subsolo do Território Indígena (TI) Munduruku. Como se explorar o subsolo não significasse devastar a superfície.
Os Munduruku ocupam historicamente esta região, a conservação e a proteção de toda esta importante área amazônica se deve à forma de ocupação territorial deste povo, de harmonia e respeito aos rios e à floresta em diferentes gerações.
O Complexo Tapajós fere a Constituição Federal em sua essência, pois atinge diretamente as comunidades indígenas e tradicionais. Segundo informações do próprio governo, no mínimo 50 das 118 aldeias Munduruku – além de lugares sagrados para a etnia – serão inundadas pela UHE Chacorão, que será construída próximo à fronteira dos estados Pará e Amazonas.




Eleições 2014 e Amazônia – Parte 02

Posted: outubro 15th, 2014 | Author: | Filed under: Geral, Série Eleições e Amazônia | No Comments »

Por Roberta Tavares:
Sobre os comentários fascistas dirigidos aos nordestinos por pessoas do sul e do sudeste brasileiro em detrimento da região nordestina (assim como o Norte) ter sido uma área onde o governo Dilma (PT) obteve um número alto de votos, ou seja nessas duas regiões o eleitorado prefere a política do PT em vez da do PSDB.
Bom, não é de hoje que sabemos do etnocentrismo para não dizer racismo, fascismo, desprezo, ignorância cultural, histórica e geográfica que existe em grande parte da população dessas duas regiões com relação a nós nortistas-amazônidas e aos nordestinos. Isso sem falar ainda no ranço colonialista, que aliás é um outro tema que daria uma tese.
Esse etnocentrismo beira ao analfabetismo geográfico. Como não lembrar das viagens pelo Sudeste e recentemente pelo Sul, e quando falávamos que éramos de Belém alguém logo disparava “ah eu já fui lá na Bahia vocês gostam muito de acarajé né? Nós então pedagogicamente tentávamos alfabetiza-los explicando que não morávamos perto da Bahia, embora gostássemos muito desse estado, éramos amazônidas e que o Pará ficava localizado na região Norte e a Bahia no Nordeste. Devo tristemente contar que por mais que tentássemos ser didáticos, quando dizíamos que éramos amazônidas parece que piorava, alguém ignorantemente sempre confundia a região amazônica com o estado do Amazonas, então tínhamos que explicar que não éramos amazonenses e sim paraenses, que o Amazonas é um dos estados localizados na região amazônica. Triste ter que lhes dizer mais uma coisa: na maioria das vezes eles não entendiam nada e continuavam falando besteiras. E sempre tentamos alfabetizar geograficamente muitos soberbos ignorantes do Sul e do Sudeste, mais é difícil, viu…
Devo dizer que não é a maioria das pessoas nem do Sul e nem do Sudeste que é assim, pelo contrário a maioria que conhecemos tem sim um respeito pelos nortistas e nordestinos e mesmo quando não sabiam muita coisa sobre nossas culturas tinham a disposição de conversar e tentar entender nossas características e diferenças regionais com respeito, o problema é que as pessoas mais ignorantes de fato são as mais barulhentas, as que causam mais alardes.
Mas, voltando a matéria dos insultos aos nordestinos por conta da eleição. Não apoio o PT e nenhum partido da farsa democracia representativa, mais o povo pobre não é passivo como pensam algumas mentes confusas e se o povo pobre nordestino não hesita em escolher o PT em vez dos declarados neoliberais é porque historicamente existe na vida concreta deles motivos simbólicos (e outros mais) suficiente para isso.
R.T


Eleições 2014 e Amazônia.

Posted: outubro 9th, 2014 | Author: | Filed under: Geral, Série Eleições e Amazônia | No Comments »

Diante de uma profusão de textos com opiniões e posicionamentos sobre o segundo turno das eleições de 2014, que estão diariamente pipocando  nas redes sociais, decidimos postar alguns textos de parceiros e colaboradores do blog AMAZÔNIAemCHAMAS, para que possamos armazenar essas interpretações antes que se percam nas mãos do sr. “facetruque”.

Os texto escolhidos narram diferentes pontos de vista, como os comentários racistas contra os eleitores do PT nas regiões Norte e Nordeste do país; e sobre o rumo que a política governamental está sendo imposta na região amazônica.

Quem quiser mandar outros textos, para serem publicados, que construam essa temática, nos mandem email: amazoniaemchamas@riseup.net

>> Por Lan Lima, acerca  das ofensas xenofóbicas de centro-sulistas sobre a vitória da presidenta Dilma Rouseff no Norte e no Nordeste:

Até agora hesitei em dar minha opinião sobre essas eleições por aqui, estava e ainda estou muito pensativa sobre tudo isso, analisando as coisas cuidadosamente, sobre votar, não votar, em quem votar… mas depois de ter lido um comentário de uma desconhecida sobre a distribuição dos votos de cada candidato por estado resolvi me manifestar por aqui. O comentário era o seguinte:

“Norte e Nordeste …..antro d analfabetos e ignorantes !!!Por isso Dilma/ PT sempre, ganha lá!!! Haja bolsa família , miséria e preguiça p/ quererem mudanças!!!”

Infelizmente não me surpreendi em nada com ele, o que não significa que não sou afetada pelo seu conteúdo. Cresci em uma cidade planejada pra abrigar trabalhadores de um grande projeto implantado na Amazônia, sou filha dessa violência. Na época da implantação eram poucos os trabalhadores da região, que eram designados a ocupar os cargos mais baixos na empresa. Os cargos mais altos eram distribuídos entre pessoas da região sudeste, sul e até centro-oeste, que vieram de seus Estados para contribuir com a exploração a todo custo da área, com o etnocídio e o genocídio de sua gente.
Essa lógica de distribuição espelhava, e espelha ainda, a violência, o preconceito, o etnocentrismo, a lógica de exploração indiscriminada e a todo custo… as milhares de contradições envolvidas no modelo de desenvolvimento imposto à região desde que os primeiros pés brancos aqui pisaram. Cresci ouvindo comentários como este, e ainda piores, cresci ouvindo, sentindo e sofrendo de injúrias como e piores do que essas, desde ataques a capacidade intelectual até ataques machistas contra os hábitos amorosos e sexuais das mulheres nortistas, passando pela clássica preguiça.
Isso acontecia e ainda acontece, não raro voltar à cidade e ouvir coisas como essas, sentir na pele a superioridade com que se impõem os que descendem de outras terras, mas vieram pra cá, pq lá não tinham onde mamar, acumularam riquezas e nunca voltaram. Esse tipo de comentário veicula de forma explícita um discurso de ódio, ignorante, homogeneizante, de milhares de pessoas, que sinceramente, nem estão em situação tão melhor e muitas vezes muito pior do que a nossa aqui em cima (pelo menos água ainda temos bastante por aqui).
Digo isso com base nos padrões capitalistas, machistas, racistas que dão bases a tais julgamentos, em que há um padrão, uma meta a ser alcançada de acumulação de bens, de homogeneização e também de idiotização da população, padrões estes indispensáveis ao bem-estar social nesta ordem, propagados nas novelas e telejornais da rede globo – que não por acaso apoia a candidatura de Aécio – entupindo nossos cérebros todos os dias. Fugimos à ordem em vários aspectos, há as formas de transcriação dos enunciados por quem os consome. Somos aptos e multiplicamos as perspectivas, talvez seja este o problema em questão, tendo em vista a ameaça que isso representa à manutenção de uma perspectiva unilateral da existência.
A meu ver não foram estes padrões que levaram Dilma ao segundo turno no norte e nordeste (acho que não sou capaz de dar conta das infinitas motivações, enumero aqui algumas que percebo ao meu redor), mas necessidades reais e básicas supridas minimamente pelo seu governo, e pelo menos pela experiência e contato que tenho com pessoas que nela votaram, pelo terror que um governo do PSDB representa, pela lembrança macabra do que tínhamos 12 anos atrás e digo isso em termos cotidianos principalmente. Cotidiano este de uma riqueza inimaginável, que do alto de seus apartamentos, de dentro de seus carros blindados, com ar condicionado a classe média e alta, inclusive a daqui de Belém, que vi determinada e vestida de amarelo no último domingo nunca vai conseguir compreender e nem quer.
Não votei em Dilma, nem no PT que deu continuidade a essa lógica de dominação na região, que viabiliza e impulsiona a investida do capital, do agronegócio, das hidrelétricas e acoberta o mandonismo, o coronelismo, o messianismo… que ainda hoje catequiza e coloniza a região – vide coligação “Todos pelo Pará”. Não votei e nunca votarei em Aécio e no PSDB pelos mesmos motivos e muitos outros mais.
Sinto-me muito inclinada a nem votar, porque decididamente sou avessa à lógica senil da democracia representativa. Acredito que a política está para além das urnas, é feita também e principalmente no dia-a-dia, está nas resistências diárias, de uma cultura, de uma forma de vida, e disso penso que nortistas e nordestinos sabem muito bem. O que não posso fazer é fingir que não vi, não li, ou que não é também a mim direcionado tal discurso só porque não votei em Dilma. A ignorância e o preconceito vão além dessas eleições e denunciam um país que não sabe de si, completamente intransigente a toda e qualquer forma que tome a diversidade e a própria decadência e falácia da ideia de nação. Ideia essa que está no topo da lista das justificativas que nos dão para aceitar a exploração dos recursos que aqui se encontram (Belo Monte era ou não era interesse nacional?) e da gente que habita e é habitada por eles.